3 de julho de 2015

5 mulheres construídas pelo olhar de um narrador masculino


Misteriosas, sedutoras e cheias de particularidades; motivo de especulação, e mesmo de discórdia. Elas roubam a cena e fazem o leitor criar mil teorias sobre seu verdadeiro caráter e personalidade. Passam a ter um quê de lendárias e acabam fixando moradia no imaginário de quem lê. Bem, dedico este top 5 às personagens femininas que são apenas e completamente construídas a partir do olhar de um narrador-personagem masculino.


1 de julho de 2015

Quote da quinzena #34: 1Q84 – Livro 3


Fechando a trilogia, hoje venho trazer quotes do terceiro volume de 1Q84, obra magistral do Haruki Murakami. Aliás, foi com essa trilogia que conheci o autor e passei a amar sua escrita e suas histórias, bem como a maneira como ele conduz os personagens.

Não sei se vocês se lembram, mas tive uma relação de amor e ódio com o desfecho da trilogia. Isso porque levei um certo tempo para digerir o fato de que a intenção era ficar com todos aqueles enigmas na cabeça, não ter respostas para exatamente tudo. Claro que pouco depois superei o trauma e até escolhi a trilogia como minha melhor leitura de 2013.

Assim como os dois volumes anteriores, 1Q84 - Livro 3 é muito bom, e vocês podem perceber pelos trechos que escolhi para esta quinzena:

Toda vez que o menino Tengo via aqueles sapatos completamente gastos e deformados, ele sentia muita pena. O sentimento de comiseração não era em relação ao pai, mas aos sapatos. Eles o faziam lembrar aqueles pobres animais de carga à beira da morte, após serem usados até não aguentarem mais.
Mas, pensando bem, o seu pai de hoje também não seria como um animal de carga à beira da morte? Não seria o mesmo que um sapato de couro gasto?

Tengo leu Macbeth nas aulas de inglês da faculdade, mas estranhamente lembrava-se do seguinte trecho:

By the pricking of my thumbs,
Something wicked this way comes,
Open, locks,
Whoever knocks.


Pinica meu polegar:
Algo mau está para chegar
Abre logo a fechadura
Pra quem bate e nos procura.

Sua enorme cabeça disforme, que lembrava o boneco da felicidade, tornou-se um excepcional receptáculo de informações importantes. Um receptáculo aparentemente feio, mas de grande utilidade. [...] Mas Ushikawa evitava mostrar publicamente seu dom. O conhecimento e a capacidade eram apenas ferramentas e, portanto, não cabia a ele usá-los para se gabar.

Mas o tempo rouba aos poucos a vida de todos. As pessoas não morrem porque chegou a hora. Elas morrem gradativamente a partir de dentro e, por fim, chega o dia do acerto de contas. Ninguém consegue escapar disso. Todos precisam pagar o preço das coisas recebidas.

A dor é um conceito que não se pode generalizar. O sofrimento de cada um possui características próprias. Se me permite parafrasear Tolstoi, toda a felicidade é igual, mas cada dor é dolorosa à sua própria maneira. Mas eu não iria tão longe a ponto de afirmar que é uma questão de gosto. Não acha?

“O certo talvez fosse não nos encontrarmos”, pensou Tengo, olhando para o teto. “Talvez fosse melhor ficarmos separados um do outro guardando, com carinho, o desejo de um dia nos reencontrarmos. Poderíamos viver para sempre com esse desejo em nossos corações. Um desejo a acalentar o âmago de nossos seres, mantendo acesa uma singela mas importante fonte de calor. Uma pequena chama que as palmas das mãos cuidadosamente protegem da ação do vento. Que, ao receber os ventos violentos da realidade, poderia facilmente se extinguir.”

Vinte anos eram muito tempo, mas, para um coração decidido, o tempo jamais será longo demais.

1Q84 – Livro 3, de Haruki Murakami

29 de junho de 2015

Look + Book: robôs e look fresquinho


É look de frio em pleno verão (lembra??), look de calorzão nessa friaca que tem feito... Pois bem, é que este look é de faz um tempinho também; foi num sábado à tarde, filminho no CineSesc da Augusta com direito a pausa no Café Scada, e minha leitura da vez sempre a tiracolo.


26 de junho de 2015

The Beatles Book Tag


Adoro essa tag e nem preciso explicar o porquê, o nome diz tudo: The Beatles Book Tag. Foi criada pelo blog No País das Entrelinhas, e eu fui convidada a respondê-la – há uns bons meses – pelas meninas do Sopa Primordial.

Gravei essa tag há um tempão (em fevereiro ou março... meu cabelo está até bem mais curto!), mas só consegui me organizar para postá-la agora. Espero que gostem! Quem curte os Beatles como eu certamente vai se identificar!


25 de junho de 2015

Precisamos falar sobre o Kevin [Lionel Shriver]


A sensação de ter algo fora do lugar, uma estranheza aqui dentro e aquele misto de sentimentos que não dá para ser resumido em uma ou duas palavras: isso tudo foi o que experimentei ao virar a última página de Precisamos falar sobre o Kevin.


23 de junho de 2015

Favoritos de abril + maio: make, sci-fi, cinema brazuca, lanche vegetariano...


Eu sei, eu sei... este favoritos é, mais uma vez, bimestral por motivos básicos que explico no vídeo. Ainda assim, teve coisa bem boa em abril e maio, especialmente no quesito cinema – tanto que resolvi escolher 3 filmes favoritos deste período.

Fora isso, teve batom da Quem disse, Berenice?, um sci-fi show de bola da Aleph... E também um lugar de lanches vegetarianos que eu surpreendentemente não conhecia, apesar de sempre passar em frente.


20 de junho de 2015

Lançamentos imperdíveis de junho

Demorou mas tá aqui: os lançamentos de junho estão MUITO tentadores. Minha vontade honesta é ler todos esses livros, mas imaginem o desastre ainda maior que minha fila de leitura se tornaria! Com sorte, devo incluir uns dois ou três à listinha de próximas leituras; veremos.

Sem mais delongas, confiram os lançamentos literários que fizeram minha curiosidade falar mais alto este mês:


VIDAS REINVENTADAS
Boris Fishman, ed. Rocco
Onde comprar: Livraria da TravessaAmazon (livro físico)Amazon (edição Kindle)
Aclamado romance de estreia do russo radicado nos Estados Unidos, Boris Fishman, Vidas Reinventadas é um livro sobre família, Holocausto, os limites entre a ficção e a realidade.

Descendente de judeus russos que imigraram para os Estados Unidos quando ainda era criança, Slava Gelman é um aspirante a escritor da revista Century; ele vem se distanciando da família que vive no Brooklyn para se tornar mais americano e fazer algum sucesso escrevendo na América. Com a morte de sua avó – uma sobrevivente de um gueto nazista em Minsk – um pedido inusitado lhe é feito por seu avô: forjar um relato de como a avó sobrevivera à guerra.

Pouco antes de morrer, a avó recebera pelo correio um formulário do governo alemão em que sobreviventes do Holocausto deveriam relatar suas histórias a fim de receberem uma indenização. Sua avó não falava sobre o assunto e nunca escreveu a carta. Seu avô não se enquadrava exatamente nos critérios do governo alemão para se candidatar: fugiu para o Uzbequistão no início da guerra, nunca esteve em um gueto ou um campo de concentração.

Slava acaba cedendo e escreve um relato para ser enviado no nome do avô. Em seguida, começa a escrever para toda uma comunidade de velhos imigrantes judeus da União Soviética, mergulhando em um turbilhão de histórias – inventadas – sobre o Holocausto ao mesmo tempo que se reconecta com sua avó, suas origens e o restante de sua família. Com humor, ironia e até mesmo aspereza, Boris Fishman nos apresenta questões sobre a verdade, a justiça e a história. Além das referências literárias – desde Dostoiévski e Tolstói até García Márquez –, o livro é repleto de jogos de linguagem, discutindo as limitações da língua adquirida, os contrastes com a materna, com pitadas de hebraico e ídiche.