O Teorema Katherine [John Green]

17 de maio de 2013


Colin Singleton gosta de Katherines. Já teve dezenove namoradas, todas Katherines, e cada uma delas terminou com ele. Após seu décimo nono pé na bunda, Colin – ex-prodígio e viciado em anagramas – resolve cair na estrada com seu melhor amigo, Hassan, e com uma missão: desenvolver o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que o fará ocupar o posto de gênio e, claro, reconquistar sua Katherine XIX.


Em tom tragicômico, O Teorema Katherine traz uma visão diferenciada acerca dos relacionamentos amorosos, especialmente os malsucedidos.

Um gráfico que possa prever o desfecho de uma relação é, seguramente, uma daquelas “invenções” que muitos dariam tudo para ter em mãos. E é isso que Colin persegue: criar um teorema aplicável a todas as suas dezenove Katherines, portanto a todos os relacionamentos, precisando quando e quem terminaria a relação. Pensar em um teorema como este é algo bastante engraçado; no entanto, tal esforço em racionalizar os namoros revela uma personalidade insegura e com alguma dificuldade em compreender e lidar com o outro. Ao mesmo tempo em que presenciamos a prodigiosidade do protagonista, acompanhamos também suas fraquezas e o percurso bastante aventureiro que Colin empreende para superá-las.

O texto é gostoso de ler, conduz o leitor de maneira natural e “indolor”, além de ir (muito bem) acompanhado de um enredo repleto do frescor e pretensão tipicamente juvenis. E não uso aqui a palavra pretensão ligada a qualquer sentido negativo, mas aos próprios desejos e grandes ambições dos jovens, e até a certa vaidade.

Contudo, são os personagens a grande atração do livro! Hilários em suas tiradas e convincentes em seus dilemas, o trio Colin-Hassan-Lindsey parecem uma unidade, como que feitos uns para os outros. Já as Katherines, todas, parecem fundir-se em uma instituição; algo com tamanha dimensão na vida de Colin que parece mesmo adquirir ares beirando o místico.

O Teorema Katherine não é um livro que, necessariamente, faz refletir. Na realidade, as reflexões são desenvolvidas ao longo da trama, conduzidas pelos próprios personagens e se desenrolam perante o leitor. O livro “entrega” as respostas, em vez de fazer com que o leitor as procure – o que achei bastante válido e apropriado ao que propõe a trama.

LEIA PORQUE... A matemática que permeia a história foi realmente uma boa sacada. O apêndice, ao término da leitura, explica melhor a matemática do teorema criado por Colin – apesar de ser um “plus”, vale a pena ser lido.

DA EXPERIÊNCIA... Leitura ágil e divertida. As notas de rodapé, frequentes ao longo da narrativa, são um atrativo à parte: não são tecnicamente essenciais para a compreensão do todo, mas poxa, tais linhas diminutas fazem toda a diferença! Uma das delícias desta leitura!

FEZ PENSAR EM... Há séculos não ouvia falar de eixo x, eixo y,... E apesar de sempre ter tido um péssimo relacionamento com números e gráficos, achei bastante interessante a matemática presente no livro.


Título: O Teorema Katherine
Título original: An Abudance of Katherines
Autor(a): John Green
Editora: Intrínseca
Edição: 2013
Ano da obra: 2006
Páginas: 304


Tem mais literatura no cinema francês!

15 de maio de 2013

Vocês já devem saber que desde o dia 1º até o dia 16 de maio (amanhã!) está rolando o FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS. E também já devem saber que a programação da edição 2013 está cheia de filmes adaptados de obras literárias (comecei a falar disso AQUI).

Mas ainda tem mais! Trago aqui outros filmes do festival que têm estreita relação com a literatura. Confiram! E lembrem-se de seguir a regra máxima que lhes imponho aqui: é obrigatório assistir a pelo menos um dos filmes – seja no próprio festival (se ainda estiver rolando na sua cidade), ou no cinema quando entrarem em cartaz.

Peço perdão pelo atraso da publicação desta continuação do post sobre os filmes do Festival Varilux. Sei que o festival já deve ter terminado em várias cidades, mas também sei que boa parte dos filmes entrará em cartaz nos cinemas - como "A Datilógrafa" e "Renoir", por exemplo. Então, este post é mais um incentivo para que vocês confiram os filmes quando entrarem em cartaz (ou me digam se já assistiram a algum deles no festival e o que acharam), além de mostrar algumas obras através de suas adaptações cinematográficas.


ALÉM DO ARCO-ÍRIS (Au bout du conte, direção de Agnès Jaoui, França, 2012)
Não se trata de adaptação; porém o filme traz várias referências de conhecidos contos de fadasCinderela, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve,... –, bem inseridas no contexto contemporâneo e jovem do filme. É necessário um olhar atento, já que algumas destas alusões não são assim tão explícitas.


Era uma vez uma jovem que acreditava no grande amor, nos sinais, e no destino; uma mulher que sonhava e tentava desesperadamente ser atriz; um jovem que acreditava em seu talento de compositor, mas não acreditava muito em si mesmo. Era uma vez uma menina que acreditava em Deus. Era uma vez um homem que não acreditava em nada até o dia em que uma vidente lhe disse a data da sua morte e, a contragosto, começa a acreditar.
Uma comédia sobre relacionamentos que alegremente desmistifica o fim tradicional dos contos de fadas.

O filme traz Agathe Bonitzer, que interpretou Tal em Uma Garrafa no Mar de Gaza (cujo livro de origem resenhei aqui).

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FERRUGEM E OSSO (De rouille et d’os, direção de Jacques Audiard, França/Bélgica, 2012)
Adaptado da coletânea de contos Rust and Bone, do canadense Craig Davidson.


Ali, sem domicílio, sem dinheiro e sem amigos, encontra Stéphanie, uma domadora de orcas do Marineland. Um dia, o espetáculo se transforma em drama. Quando Ali a reencontra, ela está presa a uma cadeira de rodas: perdeu as pernas e muitas ilusões. Ele vai simplesmente ajudá-la, sem compaixão. Ela vai reviver.




A DATILÓGRAFA (Populaire, direção de Régis Roinsard, França, 2012)
Neste caso aconteceu o inverso: A Datilógrafa não é uma adaptação, mas deu origem a um livro contendo o roteiro do filme. Populaire tem autoria do diretor Régis Roinsard, de Daniel Presley, e de Romain Compingt.


1958. A jovem Rose vive com seu pai, viúvo rabugento que cuida do bazar de um vilarejo normando. Ela deve se casar com o filho do mecânico e está destinada a ser dona de casa. Mas Rose não quer essa vida. Ela tem um dom: datilografa numa velocidade vertiginosa. Vai então para Lisieux, onde desperta o esportista ambicioso adormecido em Louis Echard, dono de um escritório de seguros.




PRENDA-ME (Arrêtez-moi, direção de Jean-Paul Lilienfeld, França/Luxemburgo, 2013)
Adaptado do livro Les Lois de la Gravité, de Jean Teulé.


Certa noite, uma mulher vai a uma delegacia confessar o assassinato do seu marido violento, cometido há muitos anos. Mas à medida que a policial de plantão a interroga e conhece sua vida, menos tem vontade de prendê-la. Por que essa mulher, de quem ninguém suspeitava, quer ser reconhecida como culpada de qualquer jeito? Por que essa policial não quer prendê-la?




RENOIR (Renoir, direção de Gilles Bourdos, França/Egito, 2012)
Adaptado do livro Le Tableau Amoureux, de Jacques Renoir (bisneto do pintor Pierre-Auguste Renoir).


1915, Côte d’Azur. No crepúsculo de sua vida, Pierre-Auguste Renoir sofre com a perda da esposa, as dores da idade, e as más notícias vindas da linha de frente: seu filho, Jean, foi ferido na guerra.
Mas a jovem Andrée, que surge em sua vida como um milagre, vai dar ao velho homem uma energia que ele não esperava mais. No entanto, o paraíso logo será abalado pela volta de Jean, que também se rende aos encantos da misteriosa ruiva. Radiante de vitalidade, resplandecente de beleza, Andrée será o último modelo do pintor, sua fonte da juventude.




OS SABORES DO PALÁCIO (Les saveurs du palais, direção de Christian Vincent, França, 2012)
Adaptado livremente do livro Carnets de cuisine du Périgord à l’Élysée, de Danièle Mazet-Delpeuch. O livro conta a história de Danièle, a autora, durante o período em que foi chef particular (e a primeira chef mulher) do ex-presidente da França, François Mitterrand.


Hortense Laborie é uma cozinheira famosa que vive em Périgord. Para sua grande surpresa, o Presidente da República a nomeia responsável por suas refeições pessoais no Palácio do Élysée. Apesar da inveja dos chefs da cozinha central, Hortense se impõe com sua personalidade forte. A autenticidade da sua culinária logo seduzirá o presidente; mas, nos bastidores do poder, os obstáculos são inúmeros.



5 motivos para ler Scott Westerfeld

13 de maio de 2013


Scott Westerfeld nasceu no dia 5 de maio de 1963, em Dallas (Texas, EUA). Possui graduação em Filosofia, e é pós-graduado em Estudos Performáticos.
Casado com a também escritora Justine Larbalestier, o casal mora em Sydney (Austrália) e Nova York, alternando entre as duas cidades basicamente de acordo com os termômetros – Scott e a esposa vivem fugindo do inverno. Justine e Scott não têm filhos.


1. Scott já foi ghost-writer! O autor já comparou tal atividade a algo como dirigir o carro de outra pessoa, em altíssima velocidade e por muito dinheiro.

2. Ele é autor de quatro séries YA, sendo a série Feios a mais conhecida. Nela, tudo se passa em um futuro onde os adolescentes, ao completarem 16 anos, são obrigados a passar por uma cirurgia estética que os torna “perfeitos”, mas também bastante padronizados. A série é composta por uma trilogia – Feios, Perfeitos e Especiais – e por um romance adicional, Extras.
O escritor também participou de algumas coletâneas de contos. Amores Infernais foi uma delas; bem ruim – minha opinião – mas, se serve de consolo, o conto do Westerfeld é um dos únicos que se salva do livro.

3. Westerfeld também tem livros adultos em sua bibliografia; Polymorph, Fine Pray e Evolution’s Darling não foram lançados no Brasil, infelizmente.

4. Westerfeld é vegetariano, sua refeição favorita é o café da manhã (a minha também!), e ele diz JAMAIS usar jeans. Interessante...

5. Apesar de ter um escritor preferido, o aclamado no gênero da ficção científica Samuel R. Delany (ou “Chip”), Scott Westerfeld diz não ter um livro favorito. O motivo é que simplesmente há milhares de livros e ele não saberia nomear um predileto. Justo.


PRINCIPAIS OBRAS:

Tão Ontem (2004)
A Hora Secreta – Midnighters #1 (2004)
No Limiar da Escuridão – Midnighters #2 (2005)
Blue Noon – Midnighters #3 (não lançado no Brasil)
Feios (2005)
Perfeitos (2005)
Especiais (2006)
Extras (2007)
Leviatã – A Missão Secreta (2009)


Mães que jamais mereceriam celebrar o Dia das Mães

10 de maio de 2013


Ler livros cujos personagens tenham – ou sejam – o que chamamos de mãezona é, em sua totalidade, uma experiência inspiradora. Mas e quando acontece o oposto?

Não é tão raro nos depararmos com tramas envolvendo mulheres que NÃO merecem o título de mãe, muito embora tenham gerado filhos. Qual o sentimento que essa situação provoca em vocês? Desprezo, raiva, tristeza, piedade, medo? Eu, como leitora, geralmente experimento uma mistureba de todos estes sentimentos básicos, mas nada impede que outros se juntem ao grupo – alguns, inclusive, bastante contraditórios.

Pois eis aqui duas mães literárias que me causam certa repulsa, em grau e por razões bem diferentes...

Charlotte Haze, mãe de Lolita (LOLITA, de Vladimir Nabokov)
Detestável, porém digna de pena. Charlotte tem uma relação bastante tempestuosa com a filha, pontuada por críticas e reclamações. Ou então, mostra indiferença e o desejo de manter Lolita longe de si e de Humbert, que se torna seu marido apenas para ficar próximo de sua filha, por quem nutre obsessão pedófila. Por outro lado, Charlotte é detestada por ambos (isso mesmo, até pela própria filha – mas aí há toda uma questão do tipo “o buraco é mais abaixo”, talvez questões edipianas não resolvidas...), que querem vê-la afastada a todo custo.

Por falar no livro, publiquei o review de Lolita aqui no blog, em 2010.

Aproveitando... A capa ao lado é de uma edição italiana de 1970.
Para quem curte ver capas diferentinhas, olha só esta página com 185 capas para Lolita, de países diversos.




Hattie Dorsett, mãe de Sybil (SYBIL, de Flora Rheta Schreiber)
Sybil sofre horrores por causa da mãe. Esquizofrênica e atroz, Hattie comete abusos contra a filha desde que esta era bem pequena; torturava a menina de modo insano, física e psicologicamente.
Com um pai omisso, a garota sozinha não soube lidar com tudo a que era submetida pela mãe, e acabou por apresentar desde criança o Transtorno Dissociativo de Identidade (ou Transtorno de Múltiplas Personalidades). Sybil se dissocia em 15 personalidades diferentes, além da “original”, sendo duas delas masculinas, fazendo com que viva períodos em total “ausência” de si mesma. Isto ocasiona uma espécie de lapso de memória constante, em que vive com outra personalidade que não a sua. Sua psicanalista, Dra. Wilbur, é quem trata Sybil, fazendo com que supere sua condição.

Não tem review de Sybil aqui no blog; li o livro em 2004 e nem fazia ideia de que um dia eu teria um blog literário...

Assustadoramente, Sybil é baseado em uma história real; foi escrito – de maneira romanceada – por uma jornalista amiga da Dra. Wilbur e da própria Sybil, e publicado em 1973. Contudo (e resumindo os fatos), alguns profissionais alegam que o livro se trata de uma farsa combinada entre as três – autora, psicanalista e paciente. Sybil não teria tido múltiplas personalidades (apesar de ter tido alguma desordem psicológica) e muitas das torturas inflingidas pela mãe teriam sido descritas de forma exagerada, com o intuito de provocar e chocar.
Real ou não, o livro realmente choca, e apresenta uma mãe que ninguém desejaria ter – nem sequer no pior pesadelo.


Não consegui pensar em mais nenhuma outra mãe odiosa, apesar de que Charlotte e Hattie já são mais que suficientes! Vocês se lembram de alguma mãe literária tão detestável que nunca seria digna de ter um Dia das Mães?


Escrevi o post que vocês acabaram de ler inspirada neste aqui; até tomei liberdade de usar a mesma imagem, espero que me perdoem! =P


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