22 de julho de 2014

2 minutos!!!


2 minutinhos do tempo de vocês: isso é o que eu, singelamente, peço para poder fazer um Livro Lab melhor!

Essa é a primeira vez em quatro anos e meio que lanço uma pesquisa de opinião por aqui e gostaria DEMAIS de ouvir a opinião de vocês sobre o blog. Até porque, se continuo postando firme e forte, isto se deve exclusivamente a vocês, leitores. E é para vocês que desejo sempre melhorar esse trabalho aqui.

Ah, a pesquisa é bem curtinha: são apenas 6 perguntas. E acreditem, vocês me ajudarão imensamente com suas respostas!

ACESSEM A PESQUISA DE OPINIÃO AQUI

Muito, muito, muito obrigada!

21 de julho de 2014

O Sal da Vida [Françoise Héritier]


"Num belo dia de verão, se assim posso dizer, pois fazia um mau tempo, recebi um cartão-postal da Escócia. Alguém de quem gosto demais, o professor Jean-Charles Piette, “Monsieur Piette”, como eu o chamo intimamente, mandava-me algumas palavras da ilha de Skye. O cartão começava assim: ‘Uma semana roubada de férias na Escócia.’"

Assim começa O Sal da Vida, best-seller da antropóloga francesa Françoise Héritier. Porque a palavra “roubada” lhe salta diante dos olhos, a autora tece uma carta-resposta explicando ao amigo que, ao contrário de “roubar” suas férias, é sua própria vida o que ele rouba todos os dias. Ao se entregar exaustivamente ao trabalho, Monsieur Piette tira de si mesmo o tempo de desfrutar das pequenas coisas prazerosas da vida – ainda que o trabalho lhe seja também uma fonte de prazer.

Segue-se então uma longa lista em forma de monólogo – com duração de vários dias, inclusive –, em que a autora enumera pequenas coisas que conferem graça e leveza à vida, celebrando o existir, pura e simplesmente. Atos, acontecimentos e sentimentos diminutos que são parte do cotidiano e que, tantas vezes, não aguçamos os sentidos para percebê-los ou simplesmente não nos damos tempo de aproveitá-los de forma plena. Coisinhas que dão o tempero, o sal da vida. Que fazem toda a diferença.

Ao nos colocarmos no lugar do destinatário dessa resposta, tão simples e direta, percebemos uma verdade incontestável: o equilíbrio é o grande segredo da felicidade. Ou, pelo menos, um deles. E é com tantas coisas em tão poucas páginas que a autora nos conta isso.

Apesar da mensagem universal, O Sal da Vida pode ter um sentido particular a cada leitor. Em todos e em cada um dos casos, o livro é uma lufada de frescor. É também, e principalmente, uma intimação a repensar a maneira – e o ritmo – como temos levado nossos dias.

LEIA PORQUE...
Com uma mensagem superpositiva, o livro fala de pequenos prazeres cotidianos e, como diz na capa, do que faz a vida valer a pena. E importante: sem ser um livro de autoajudanada contra, mas eu não curto.

DA EXPERIÊNCIA...
Para ler numa “sentada” só e terminar as 108 páginas enxergando a vida de outra maneira. Pode não operar milagres, mas dá um colorido especial ao dia.

FEZ PENSAR EM...
Sabe os pequenos prazeres da Amélie Poulain? Então, algo mais ou menos por aí...


Título: O Sal da Vida
Título original: Le Sel de la Vie
Autor(a): Françoise Héritier
Tradução: Maria Alice A. de Sampaio Dória
Editora: Valentina
Edição: 2013
Ano da obra: 2012
Páginas: 108
Onde comprar: Saraiva | Fnac | Submarino

18 de julho de 2014

5 motivos para ler Jennifer Egan

Jennifer Egan

Jennifer Egan nasceu em Chicago em 1962, e foi criada em São Francisco. Formou-se em Literatura pela Universidade da Pensilvânia; depois de graduada, passou dois anos na St. John’s College, em Cambridge, Inglaterra, período durante o qual aproveitou para viajar pela Europa.

De volta aos EUA e instalada em Nova York, Jennifer se sustentava fazendo bicos enquanto se dedicava à escrita. Teve, então, seus contos publicados em revistas literárias de prestígio. Depois vieram os romances e, ao mesmo tempo, Egan contribuía como jornalista para a New York Times. Em 2002, ganhou o Carroll Kowal Journalism Award por uma matéria de capa sobre crianças carentes, e em 2009 foi premiada por um artigo acerca de crianças bipolares.

Se você ainda não leu Jennifer Egan, garanto que se animará após conhecer estes 5 motivos para mergulhar nos livros da autora – uma das mais interessantes da literatura norte-americana atual.

A Visita Cruel do Tempo, vencedor do
Pulitzer 2011 na categoria ficção
1. Suas tramas frequentemente apresentam críticas ao mundo das aparências, além de denunciar a superficialidade dos tempos atuais, o banal e os excessos. A ameaça representada pelos avanços tecnológicos – desde o distanciamento e a manipulação da arte à extinção da privacidade – também é questão recorrente em seus livros. Tudo isso enquanto articula os mais diversos personagens, muitos deles outsiders e problemáticos.

2. Em 2012, Jennifer Egan escreveu o conto "Caixa Preta"; estruturado em tuítes, foi veiculado no perfil da revista New Yorker, sendo posteriormente publicado na edição especial de ficção científica da revista. A editora Intrínseca também reproduziu a tradução do conto no Twitter, além de disponibilizá-lo em e-book.

3. Com características de “alta literatura”, seus livros não raro fazem referência a obras relevantes da literatura mundial. Mas Egan também inclui outras tantas referências à cultura pop, fazendo o que eu chamaria de um mix completo e interessantíssimo.

4. A Visita Cruel do Tempo rendeu à autora o Pulitzer na categoria ficção, em 2011. Além disso, teve seus contos publicados em revistas como The New Yorker, Harper’s e Granta, e colabora com frequência para veículos importantes, como a revista New York Times. Ainda, em 2011, Jennifer Egan foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.

5. O livro Uma História a Três (título original: The Invisible Circus), publicado no Brasil pela editora Record, foi adaptado para o cinema em 2001. O filme homônimo tem direção de Adam Brooks (“Três Vezes Amor”) e traz uma Cameron Diaz bastante jovem no elenco.

BÔNUS! Quando perguntada sobre qual música Jennifer gostaria que fosse tocada em seu funeral, a resposta não poderia ter sido mais interessante: The Passenger, do Iggy Pop.

PRINCIPAIS OBRAS:
Emerald City and Other Stories (1993) – não lançado no Brasil
Uma História a Três (1995)
Olhe Para Mim (2001)
O Torreão (2006)
A Visita Cruel do Tempo (2010)

16 de julho de 2014

Pequenas Epifanias [Caio Fernando Abreu]


Meu primeiro contato com o texto latejante de Caio Fernando Abreu, Pequenas Epifanias me foi recomendado por ninguém menos que o escritor francês Martin Page – quem, inclusive, prefaciou a edição francesa em 2009. Como o autor já era presença constante na minha lista de desejados, resolvi seguir a dica e, adianto, só tenho maravilhas a dizer a respeito do livro.

Nas pouco mais de sessenta crônicas, publicadas no jornal O Estado de S. Paulo entre 1986 e 1995, Caio Fernando Abreu fala sobre belezas cotidianas, aqueles pequenos milagres que não raro passam batido perante nossos olhos cansados. Fala sobre prazer, como uma viagem de trem ou cuidar do jardim; fala de cenas que protagoniza, e de outras em que é mero espectador, atrás de sua janela paulistana.

Os momentos de desespero contrastam com a leveza e a impressionante resiliência. Caio F. coloca a alma no papel; nada de preto no branco, mas os infinitos tons que um ser tão humano como ele pode ter. Está tudo lá, ou quase. Isso sem falar das febres, da tosse que parecia nunca querer deixá-lo...

O curioso – e também confortante – é que mesmo o inferno de Caio F. era povoado por anjos. Os de branco, o estetoscópio pendurado no pescoço; os que recolhiam o lixo e cuidavam da faxina; e os que vinham trazendo novidades ou simplesmente para fazer uma visita. E havia também os “anjos eletrônicos”, que espantavam o tédio através da tela da tevê.

Em meio a tantas histórias, encontram-se também algumas cartas “para além dos muros”. Foi numa delas, inclusive, que Caio comunicou ser soropositivo. Mas seria forte e aguentaria o que viesse (ou melhor, o que já estava acontecendo), inspirado e assombrado em suas noites difíceis por Frida Kahlo. Pois “seja qual for a dimensão da minha própria dor, não será jamais maior que a dela”, afirmou ele na crônica "Frida Kahlo, o martírio da beleza", em 1995.

Se em seu jardim Caio teve de lutar contra as formigas, lesmas e lagartas que ameaçavam as flores, dentro de seu corpo um inimigo bem maior o enfraquecia. Mas não o aniquilaria por completo; o corpo, aspecto descartável e passageiro, este sim foi embora, não havendo como ser diferente. Já seus textos seguem tão vivos quanto essas pequenas epifanias espalhadas vida afora.

LEIA PORQUE...
É bonito, verdadeiro e altamente inspirador – tudo no mesmo pacote. Não é todo dia que se tem diante de si um desses livros com o poder de maravilhar.

DA EXPERIÊNCIA...
Virei fã. Caio Fernando Abreu, seu lindo!

FEZ PENSAR EM...
Frida Kahlo, de Rauda Jamis – biografia que Caio F. devorou numa noite.


Título/Título original: Pequenas Epifanias
Autor(a): Caio Fernando Abreu
Editora: Agir
Edição: 2006 (2012 pelo selo Nova Fronteira)
Ano da obra: 1996 (crônicas escritas entre 1986 e 1995)
Páginas: 208
Onde comprar: Fnac | Saraiva